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CANTINHO DA CULTURA

Lambe-Sujos

No último dia 12 de outubro (domingo) a cidade de Laranjeiras viveu mais um dia de festa. Foi o dia em que os Lambe - sujos desfilaram pelas ruas da cidade histórica numa demonstração de resistência e força cultural do povo laranjeirense. De um lado, a representação dos negros escravos que fugiam da vida de trabalhos forçados, humilhação, necessidades e toda sorte de situações deploráveis que se impunham a eles. Do outro os índios (caboclinhos) que conheciam como poucos as matas e ajudavam os senhores de escravos a encontrar seus negros fugitivos.

A manifestação é uma típica demonstração daqueles que não deixam suas tradições caírem no esquecimento e lutam, por meios próprios, para manter acesa a chama da identidade e do orgulho da cultura de um povo.

Por toda cidade vemos pessoas travestidas de negros pintadas de preto, numa mistura de mel cabaú (mel de cana de açúcar de engenho), sabão em pó e cimento preto. Originalmente essa mistura era composta de mel cabaú e raspa de carvão. Outra figura muito presente na festa são os caboclinhos, índios também pintados de uma mistura semelhante à dos negros fugitivos, a diferença está na cor, os Índios usam o vermelho.

É evidente a participação da comunidade neste folguedo. Os pais incentivam seus filhos a “tomarem gosto” por esta manifestação cultural e o que vemos por toda cidade é a reunião de familiares, amigos ou pessoas que vão até Laranjeiras com o intuito de participar desta “brincadeira”.

As mulheres estão presentes de forma maciça e marcante. Em todos os cantos elas dão o ar de sua graça, trazendo para o evento maior beleza, graciosidade e delicadeza. Elas se preocupam com a “maquiagem”, tentando parecer o mais natural possível, incorporando o espírito lúdico do folguedo.

As crianças também estão presentes no evento. Incentivadas pelos pais ou simplesmente para se divertirem, elas dão o tom da ingenuidade com sua inocência e espontaneidade, mostrando que desde cedo se deve cultivar o amor pela cultura popular.

Diversão, cultura e resistência. Essas três palavras resumem um pouco do que é este folguedo popular, típico de Sergipe e que traz da sua raiz a influência direta dos dois povos que estiveram no nosso país desde os primeiros passos da nossa colonização. Esperamos poder voltar outros anos para Laranjeiras e ver crescer esta festa, principalmente a participação popular, espontânea e original do povo laranjeirense que resiste ano após ano, diverte a população e nos proporciona, para o nosso deleite, um delicioso “banquete” de cultura.



 
 


 

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