Laranjeiras
Antes de começarmos a falar da cidade
de Laranjeiras, resolvemos deixar aqui registrada a nossa
homenagem a um dos mais importantes poetas sergipanos de nossa
contemporaneidade e que coincidentemente vivia nesta cidade,
João Silva Franco o “João Sapateiro”
morto no dia 09 de outubro de 2008.
O CLASSIFICAJU apresenta Laranjeiras, a cidade histórica
nacional distante aproximadamente 25 km da capital Aracaju
pela BR 101. O município sergipano oferece um grande
número de pontos turísticos para visitação,
cada um possui atrativos peculiares e incomuns que encantam
seus visitantes. Museus, igrejas, grutas, centros culturais,
praças, engenhos, terreiros de candomblé, o
trapiche, mercado público, antigos teatros e muitos
outros pontos proporcionam aos amantes das artes, da arquitetura,
da história, um “cardápio” vasto
de atrações para o deleite dos sentidos humanos.
Para começar, um dos vários pontos turísticos
que o visitante pode conhecer é a gruta da pedra furada.
Trata-se uma formação rochosa que serviu de
refúgio de escravos fugitivos e foi utilizada pelos
jesuítas para celebração de missas na
época da invasão holandesa. Acredita-se possuir
um túnel que liga a gruta à Igreja de Nossa
Senhora da Conceição da Comandaroba que foi
construída, inicialmente, para servir de residência
para os jesuítas em 1731. Três anos mais tarde
foi edificada a igreja. É atrás do altar-mor
desta capela que fica localizada a outra entrada do túnel
que se liga à gruta da Pedra Furada. A Igreja da Comandaroba,
como é conhecida, foi tombada pelo IPHAN e é
considerada um dos monumentos históricos de maior valor
do estado de Sergipe.
Gruta da Pedra Furada

Igreja da Comandaroba
Uma igreja bastante visitada é a do Bom Jesus dos Navegantes,
situada na entrada da cidade no Alto do Bom Jesus. Além
da beleza arquitetônica do prédio, a vista proporcionada
pela altura onde está situada, encanta a todos que
chegam a Laranjeiras, podendo visualizar uma parte significativa
da cidade.

Igreja do Bom Jesus dos Navegantes

Vista de Laranjeiras do Alto do Bom Jesus
O Trapiche era um prédio que servia
para armazenar a produção agrícola do
município, principalmente a açucareira, e onde
ficavam os escravos chegados em embarcações
esperando seus donos, enfim, onde as grandes transações
comerciais se realizavam.

Trapiche
Próxima do mercado popular, a Capela
de Santaninha é considerada uma das mais ricas do Brasil
entre as capelas de propriedade privada. Servia inicialmente
como um depósito de pólvora, transformando-se
depois em uma capela particular.

Mercado
Igreja de Santa’ninha
Dois museus proporcionam aos visitantes o
prazer do conhecimento das artes religiosas e da cultura afro-brasileira.
O Museu de Arte Sacra, fundado em 1980, acolhe um acervo muito
valioso que servia de alegoria para a liturgia da igreja católica.
O outro é o Museu Afro-brasileiro de Sergipe que possui
peças do sincretismo e objetos de culto religioso africano,
além de ferramentas usadas para tortura dos escravos,
utensílios domésticos entre outros. Os dois
museus estão localizados no centro da cidade de Laranjeiras
e estão abertos para visitação de terça
a domingo das 10:00 às 17:00 com entrada custando R$
2,00 inteira e R$ 1,00 meia para estudantes e pessoas da terceira
idade.

Museu de Arte Sacra de Laranjeiras

Museu Afro-Brasileiro de Sergipe
Se o visitante der a sorte de chegar num
dia de apresentação de algum dos vários
grupos folclóricos do município, ficará
encantado diante da riqueza dessas manifestações
culturais, a exemplo do Reisado, que é uma dança
apresentada desde o período pré-natalino até
antes da quaresma. Formado por várias figuras a dança
é acompanhada por instrumentos bastante populares como
o violão, acordeom, pandeiro, zabumba, triângulo
e ganzá. A “brincadeira” acaba com o enterro
do boi, que só será desenterrado dias antes
de começar a dança.
Outra manifestação importante do ciclo festivo
de Laranjeiras é o Lambe Sujo, formado por indivíduos
pintados de uma mistura de cor preta, (mel, cabau de engenho
e raspa de carvão), que representam negros escravos
e caboclinhos. Eles encenam conflitos ocorridos no passado
entre os dois povos, sempre no segundo domingo de outubro.
Aconselhamos os visitantes que levem uma muda extra de roupas
(ninguém consegue sair de lá limpinho).
A Taieira é um grupo de mulheres, vestidas em trajes
bastante coloridos, que louvam São Benedito e Nossa
Senhora do Rosário. O ápice da apresentação
é a coroação da Rainha do Congo na Igreja
de São Benedito no dia 6 de janeiro (dia dos Santos
Reis). Já o Cacumbi é um grupo de homens que
também homenageiam os santos de devoção
dos negros escravos numa apresentação de muita
dança, alegria e sons.
A Chegança possui uma conotação diferente
dos outros grupos folclóricos, ela representa a luta
empregada pelos Cristãos para batizar os Mouros. A
dança é realizada em frente de igrejas onde
é colocada uma embarcação de madeira
para ajudar na realização da encenação.
Pandeiros, apitos e o som das batidas das espadas dão
a marcação rítmica e sonora da apresentação.
Além de antigas tradições, Laranjeiras
também renova suas manifestações artístico-musicais.
Um bom exemplo disso é o grupo afro de percussão
“Meninos da Comandaroba”, formado por 13 garotos
da comunidade de mesmo nome, todos entre 6 e 18 anos e matriculados
na rede oficial de ensino, pré-requisito indispensável
para que eles possam fazer parte do grupo.

Grupo Meninos da Comandaroba
Laranjeiras é um museu a céu
aberto e quem tiver a oportunidade de conhecê-la poderá
dizer que teve o prazer de visitar uma das mais belas cidades
da cultura sergipana e brasileira, que proporciona aos seus
visitantes um êxtase artístico-cultural incomensurável.
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